EFEITOS NÃO AUDITIVOS E ASPECTOS PSICOSSOCIAIS EM INDÍVIDUOS SUBMETIDOS A RUÍDOS INTENSOS.

By: | Tags: , | Comments: 0 | junho 25th, 2013

Embora não seja fácil relacionar sintomas não auditivos com ruído, muitos autores informam que a PAIR (Perda Auditiva Induzida pelo Ruído), além das alterações produzidas na orelha interna, causam também sintomatologia não auditiva de intensidade e aspectos desiguais. Estas alterações também interferem nos aspectos psicossociais da vida do indivíduo.

Às consequências diretas da exposição ao ruído são razoavelmente conhecidas por grande parte da população. Além de uma análise puramente clínica, deve-se fazer a leitura de facetas não propriamente da área médica, envolvendo sindicatos, classe dirigente, previdência, governo, entre outros.

Vários autores têm se referido aos efeitos não auditivos que o organismo pode sofrer sob a ação de ruído intenso. Não é tarefa fácil isolar o ruído como único responsável por tais efeitos. Em geral outros agentes ambientais concorrem no mesmo sentido e existe uma impossibilidade de caracterizar o quadro clínico como consequência de exposição a sons intensos.

Além dos transtornos específicos da audição, incluindo-se entre estes o zumbido, podemos relatar as seguintes alterações:

  1. COMUNICAÇÃO: a deficiência auditiva associada ao ruído proporciona o isolamento social do indivíduo durante o trabalho com graves consequências em sua natureza interativa;
  2. NEUROLÓGICAS: comprovadamente, estudos eletroencefalográficos demonstram que ruídos, mesmo de fraca intensidade, provocam, ou um complexo “K” (Para  uma  melhor  compreensão  do  processo  de  sono,   pode-se compará-lo  ao  uma descida  em  degraus de uma escada. Ao se fechar os olhos seria primeiro passo para fase 1 do sono. Nesta fase o corpo inicia a distensão muscular, a respiração torna-se uniforme e no eletroencefalograma observa-se uma atividade cerebral mais lenta do que no estado de vigília, aparecendo algumas ondas típicas denominadas “ondas agudas do vértex”. Após esta fase seguindo a descida em direção à fase 2, na qual as ondas cerebrais são mais lentas, aparecem ondas típicas tais como “fusos do sono” e “complexo K”.) ou a passagem temporária de um estado de sono profundo para outro mais leve. Estes episódios duram entre 5’ e 15’, podendo não ser lembrados pelo paciente ao acordar. Um número significativos de interrupções desta natureza seguramente pode trazer efeitos desastrosos ao dia-a-dia do indivíduo.
  3. CARDIOVASCULARES: constrição dos pequenos vasos sanguíneos, com consequente redução do volume de sangue e alterações do fluxo, bem como variações na pressão arterial e taquicardia, são relatados por vários autores.
  4. QUÍMICA SANGUINEA: encontrados vários relatos de modificações dos índices do colesterol, dos triglicerídeos e do cortisol plasmático (Finalidade: Confirma o diagnóstico de Síndrome de Cushing. Ajuda no diagnóstico da doença de Addison. Diagnóstico da insuficiência suprarrenal secundaria).
  5. VESTIBULARES: dificuldades no equilíbrio e na marcha, vertigens, nistagmos, desmaios e dilatações de pupila.
  6. DIGESTIVAS: diminuição dos movimentos peristálticos, enjoos, vômitos, perda de apetite, dores epigástricas, gastrites, úlceras, entre outros.
  7. COMPORTAMENTAIS: mudança da conduta e do humor, cansaço, falta de atenção e concentração, insônia e inapetência, cefaleia, redução da potência sexual, ansiedade, depressão e stress.

 

Trabalhadores com deteriorização auditiva têm, sabidamente, problemas de comunicação. Seguramente, essa circunstância interfere, de maneira marcante, nas interações familiares, nas atividades de lazer, na vida social e, obviamente, no ambiente de trabalho. Estas deficiências resultam em sérias desvantagens à pessoa surda.

A necessidade de grande concentração e esforço para seguir um grupo de conversação torna-se opressiva, o doente participa menos em grupo, torna-se menos comunicativo e afasta-se das atividades sociais, podendo mesmo mudar seu estilo de vida. Essas condições geram stress e ansiedade e não raras vezes o isolamento, a solidão, depressão e perda da autonomia. O paciente assume uma autoimagem negativa e este conjunto de fatores termina por reduzir drasticamente sua qualidade de vida.

Com base no levantamento bibliográfico deste artigo, recomenda-se que, ao examinar suspeitos de PAIR, tenhamos o cuidado de:

– revisar com detalhada anamnese os itens relacionados com sintomas não auditivos;

– pesquisar com exames clínicos e laboratoriais toda e qualquer alteração pertinente;

– informar-se sobre as questões interativas no trabalho, no lazer, nas atividades sociais e familiares, na tentativa de buscar intervir nestas áreas através de adequados Programas de Conservação Auditiva;

– contribuir para que se faça um relacionamento mais completo e confiável entre PAIR e as alterações não auditivas;

 

 

Fga. Liliane Xavier

CATB POA matriz

 

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