AUDIÇÃO FETAL X NEONATAL

By: | Tags: , | Comments: 0 | junho 25th, 2013

         A orelha interna é o único órgão sensitivo que atinge o tamanho e a diferenciação definitiva durante a metade da vida fetal. A partir da vigésima semana de vida intra-uterina, o feto tem uma capacidade auditiva exatamente igual à de qualquer criança ou adulto normal.

         Nos últimos dez anos, percebe-se uma modificação no enfoque da avaliação auditiva do feto e do bebê; estuda-se atualmente não só se há ou não resposta, mas se esta resposta representa alguma manifestação de reconhecimento ou de prazer. O feto, durante a vida intra-uterina, está familiarizado com alguns sons de seu ambiente, como os batimentos cardíacos maternos e, principalmente, com a voz da sua mãe.

A cada novo aparelho que surge para auxiliar e monitorar a vida do neonato, aumenta o ruído das incubadoras e dos berçários. Sabe-se que as células ciliadas da orelha humana podem ser lesadas irreversivelmente por ruídos intensos. Além disso, alguns trabalhos têm mostrado que os antibióticos aminoglicosídeos e o ruído podem interagir e desenvolver alterações funcionais e morfológicas, ainda que seus níves, individualmente, estejam abaixo dos níveis lesivos. Devemos lutar por uma legislação que obrigue os fabricantes de incubadoras a regulá-las de maneira a que não produzam ruído superior a 60dB, assim como devemos lutar pela obrigatoriedade da avaliação auditiva das crianças de risco no berçário.

  1. Asfixia ou anóxia, com pH abaixo de 7,1. APGAR menor do que 4 após 10 minutos;
  2. Meningite bacteriana, principalmente a causada por Haemophilus Influenzae ;
  3. Infecções congênitas perinatais – TORCH
  4. Malformações de cabeça e pescoço;
  5. Bilirrubina elevada – níveis que necessitam exsangui-notransfusao;
  6. História familiar de surdez;
  7. Peso de nascimento menor do que 1.500g;
  8. Permanência em UTI neonatal por um período maior do que 48 horas;

 

A internação e uso de drogas ototóxicas, assim como a rubéola materna, são as principais causas de surdez em crianças, no Brasil.

 

Graças ao progresso da neonatologia, recém-nascidos que outrora não sobreviveriam, hoje se salvam. É importante que os médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos e todos que lidam com o recém-nascido tenham consciência de que ele, estando na incubadora, além do trauma afetivo pela perda súbita do som da voz materna e de seu batimento cardíaco, pode estar sofrendo trauma acústico decorrente do batimento de uma porta de incubadora ou de prontuários metálicos colocados sobre ela.

 

 

Fga. Liliane Xavier

CATB POA matriz

Setembro 2012

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